Todos os dias, um ser humano pode inalar cerca de 18 kg de ar — uma quantidade significativamente maior do que o consumo diário de alimentos e água. Num mundo em que a maior parte da vida moderna acontece em ambientes fechados, o “ar condicionado” assume um novo papel essencial: controlar a qualidade do ambiente em que realmente vivemos e respiramos.
Durante décadas, a capacidade de refrigeração foi quase o padrão de medida absoluto para um sistema de “ar condicionado”. No entanto, a temperatura é apenas um aspecto da experiência em ambientes internos. Fluxos de ar direcionados diretamente para o corpo, humidade excessiva ou insuficiente, falta de ventilação adequada, ou a acumulação de partículas finas, CO₂ e compostos orgânicos voláteis podem comprometer severamente o conforto e a saúde dos utilizadores.
Durante o evento “Espaços Comerciais na Nova Era da Experiência: Comércio – Entretenimento – Gastronomia”, o engenheiro Vo Van Hoang, membro do comité executivo da Associação de Ciência e Tecnologia de Refrigeração e Ar Condicionado do Vietname (VISRAE), afirmou que as soluções modernas de “ar condicionado” devem reunir cinco critérios essenciais: manter uma zona de temperatura confortável, garantir a qualidade do ar, estética, conveniência e desempenho.
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O evento, organizado pela Associação de Design de Interiores do Vietname (VNIA) no dia 22 de agosto, reuniu cerca de 300 convidados, incluindo arquitetos, engenheiros, designers e especialistas em construção, promovendo diálogos sobre arquitetura, design de interiores, gastronomia, tecnologia e a experiência espacial.

Above Vista panorâmica de um espaço comercial moderno otimizado pelo sistema de “ar condicionado”.
As inovações nos sistemas de “ar condicionado” de nova geração são notáveis na estética. Os designs tornaram-se mais finos, compactos e minimalistas; cores neutras integram-se facilmente nos interiores, e detalhes técnicos são ocultados para manter a fluidez arquitetónica. Certos sistemas permitem a integração da unidade externa no interior, reduzindo a necessidade de tubagens expostas, simplificando a instalação e a manutenção.
Contudo, segundo o engenheiro Hoang, a mudança mais significativa é invisível a olho nu: a forma como o “ar condicionado” regula o ambiente em que habitamos. Um ambiente agradável é definido pela temperatura do ar, radiação térmica, humidade, velocidade do vento e até mesmo pelo nível de atividade humana e vestuário.
“Existem situações em que, ao estar num ambiente climatizado, a velocidade do vento que incide sobre o corpo excede os 2 m/s, causando desconforto imediato. É preciso calcular a disposição das grelhas de ventilação do sistema de “ar condicionado” para que a velocidade não seja excessiva, garantindo o bem-estar dos utilizadores”, exemplifica Hoang.

Above Detalhe de design de interiores contemporâneo que incorpora tecnologia de “ar condicionado” invisível.
O conceito de “zona de temperatura confortável” é determinado por múltiplas variáveis. A norma ASHRAE 55:2017, amplamente aplicada no design de sistemas de “ar condicionado”, visa criar condições térmicas ideais para pelo menos 80% dos utilizadores. Com os sistemas modernos, o controlo da humidade e da velocidade do ar tornam-se fatores cruciais ao lado da regulação térmica.
Se a temperatura é sentida instantaneamente, a qualidade do ar exige padrões técnicos mais rigorosos. Ambientes climatizados devem assegurar a renovação com ar exterior para manter um ambiente saudável. Este “ar fresco” ajuda a reduzir o confinamento, a acumulação de CO₂, bactérias, bolor e poluentes em espaços fechados.
“Consumimos diariamente 2 kg de alimento e cerca de 2-3 litros de água, mas inalamos cerca de 18 kg de ar; este é um fator que precisa de atenção prioritária”, enfatiza Vo Van Hoang.
Este dado revela um paradoxo: a substância que absorvemos em maior quantidade todos os dias recebe frequentemente menos atenção do que o que comemos ou bebemos. O ar fresco continua a ser um elemento negligenciado no design de muitos edifícios de pequena escala.
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Above A importância da circulação de ar fresco na qualidade do “ar condicionado” residencial.

Above Tecnologia de ponta integrada para o controlo preciso do ambiente interno.
A norma TCVN 5687:2024 define a quantidade de ar exterior necessária para diferentes tipos de ambientes, como hotéis e restaurantes. Segundo o engenheiro, os padrões atuais do Vietname são relativamente elevados devido a referências internacionais, embora as condições de operação local exijam adaptações específicas.
A qualidade do ar interno é afetada por diversas fontes: poeira fina PM2.5 e PM10, CO₂, monóxido de carbono, compostos orgânicos voláteis, ozono e fungos provenientes do exterior ou de atividades internas como a cozinha e o funcionamento de equipamentos de escritório.
Um exemplo frequentemente ignorado são impressoras e fotocopiadoras, que podem emitir ozono. “Ao entrar num escritório com uma área dedicada e ventilada para fotocopiadoras e impressoras, nota-se um alto padrão técnico e preocupação com a saúde dos funcionários”, explica Vo Van Hoang.
À medida que o “ar condicionado” se torna indissociável da arquitetura e do estilo de vida urbano, os critérios de avaliação mudam. Embora o consumo energético e a potência sejam importantes, a qualidade real do ar que respiramos horas a fio tornou-se o novo benchmark indispensável.

Above Sistemas de “ar condicionado” modernos desenhados para uma estética limpa e minimalista.

Above Arquitetura contemporânea que prioriza o conforto através do “ar condicionado” eficiente.
Mais do que locais de consumo, os espaços comerciais atuais tornaram-se pontos de encontro e experiência. Seguindo essa tendência, o evento VNIA | DESIGN&BUILD #2 discutiu como a arquitetura, o design de interiores e o “ar condicionado” eficiente podem criar ambientes comerciais capazes de responder às diversas necessidades dos utilizadores.

Above Espaços comerciais integrando soluções avançadas de “ar condicionado” para melhorar a experiência do cliente.

Above Ambientes de gastronomia que harmonizam conforto térmico e design elegante.

Above A importância da ventilação e “ar condicionado” em espaços de entretenimento de alta qualidade.
As sessões técnicas focaram-se na criação de experiências sociais através da gastronomia e do design. Destacou-se a necessidade de conectar a estética à viabilidade operacional, garantindo que o “ar condicionado” seja parte integrante de um modelo de negócio eficiente que retém clientes e valoriza a experiência espacial.




