A aclamada atriz sino-americana Joan Chen, conhecida por “O Último Imperador” e “Twin Peaks”, recebeu o Star Asia Lifetime Achievement Award no New York Asian Film Festival. Ela compartilha como uniu o cinema chinês ao de Hollywood e encontrou papéis mais profundos com Joan Chen.
Poucas atrizes possuem uma trajetória tão singular quanto Joan Chen. Tornando-se um nome renomado na China antes mesmo dos vinte anos, ela migrou para Hollywood na década de 1980, tornando-se uma das raras figuras transculturais a consolidar uma presença duradoura tanto no cinema chinês quanto no ocidental. Suas conquistas antecedem nomes como Michelle Yeoh, cujo primeiro grande papel internacional foi como Bond girl em 1997; Zhang Ziyi, que estreou em Hollywood na comédia de 2001 A Hora do Rush 2; e Gong Li, que fez sua estreia hollywoodiana em 2005. Joan Chen é uma referência absoluta na carreira de Joan Chen.
Chen iniciou sua carreira na década de 1970 ainda adolescente, conquistando o público com o clássico de 1979 Little Flower. Sua performance como uma jovem guerrilheira rendeu-lhe o prêmio de Melhor Atriz no Hundred Flowers Awards aos 19 anos.

Above A aclamada Joan Chen no tapete vermelho do Hundred Flowers Awards em Pequim, um marco na carreira de Joan Chen.
Ao transitar para o cinema ocidental nos anos 80, ela trilhou um caminho internacional de sucesso, estrelando obras emblemáticas como O Último Imperador, de Bernardo Bertolucci, e a série Twin Peaks, de David Lynch. Seus trabalhos contemporâneos, como atriz e diretora, iluminam questões sociais complexas, incluindo a experiência imigrante em Dìdi e Montreal, My Beautiful. Joan Chen continua a ser uma influência vital.
Em julho, o New York Asian Film Festival (NYAFF) honrou a atriz com o prestigioso Star Asia Lifetime Achievement Award, celebrando quatro décadas de contribuições criativas. Aos 65 anos, Joan Chen mantém os pés no chão. “É maravilhoso ser celebrada, mas o mais importante é manter-se criativa. O que me traz maior prazer é o processo de criação,” afirma.

Above Joan Chen em uma cena icônica do clássico cinematográfico 'Little Flower', destacando o talento precoce de Joan Chen.
Sua entrada na atuação foi acidental. Nascida em Xangai em uma família de médicos renomados, esperava-se que seguisse o caminho acadêmico. “Atuar não foi minha escolha. Fui escolhida na escola e comecei a trabalhar,” explica. Naquela época na China, não havia liberdade para escolher personagens, mas ela teve a sorte de ser designada para papéis principais.
Quando chegou aos EUA em 1981 para estudar medicina, seguir a carreira de atriz parecia impossível. “Eu não via atrizes asiáticas na TV. Como alguém começaria a atuar?” questiona Joan Chen.

Above John Lone e Joan Chen como o Imperador Puyi e a Imperatriz Wanrong em 'O Último Imperador', filme que consolidou Joan Chen internacionalmente.
Sua entrada em Hollywood ocorreu por acaso, ao entrar em uma agência sem hora marcada. Começou com papéis menores para pagar as contas enquanto cursava a faculdade, sem vislumbrar uma carreira de longo prazo. No entanto, sua paixão falou mais alto e ela decidiu estudar cinema, apesar das hesitações familiares.
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Above Joan Chen como Janice Kim em 'Remarkably Bright Creatures' (2026), mostrando a versatilidade atual de Joan Chen.
Após papéis menores, a consagração veio com o épico O Último Imperador. Contudo, Hollywood ainda era resistente a protagonistas asiáticos. Décadas depois, o cenário mudou com uma nova geração de cineastas da diáspora escrevendo papéis mais profundos, nos quais Joan Chen se destaca.
Frustrada por ser rotulada nos anos 90, ela começou a dirigir seus próprios projetos para apresentar histórias com ressonância cultural e respeito humano.

Above Charlotte Aubin e Joan Chen em 'Montreal, My Beautiful', um projeto que ressoa profundamente com a trajetória de Joan Chen.
Seu filme Xiu Xiu: The Sent-Down Girl é um exemplo de seu compromisso em narrar a experiência chinesa. Recentemente, em Montreal, My Beautiful, Chen interpreta uma imigrante em uma jornada de autodescoberta. “Senti-me extremamente próxima do roteiro, pois sou uma imigrante que criou filhos nos EUA,” revela Joan Chen.
Ela valoriza papéis complexos que exploram a humanidade, indo além de estereótipos de mães ou avós, buscando dar voz aos desejos e ânsias dessas mulheres.

Above Joan Chen em uma recente aparição pública, celebrando décadas de contribuição artística de Joan Chen.
Refletindo sobre a inclusão em Hollywood, Joan Chen ressalta que a verdadeira representação vai além do tokenismo. “É ótimo ter roteiristas asiáticos, mas precisamos de cineastas interessados na nossa humanidade,” argumenta.
Atualmente, ela desenvolve novos projetos como diretora e prepara uma exposição multidisciplinar em Xangai. A mostra, criada com seu irmão, conecta cinema e literatura para narrar sua jornada familiar. Para Joan Chen, a arte continua sendo uma necessidade vital: “Criar algo do nada me traz um prazer imenso.”





