Incrível, espetacular, sensacional — o amigão da vizinhança é conhecido por muitas coisas, e “Spider-Man: Brand New Day” é a definição de Spider-Man.
Existe uma piada recorrente na comunidade dos quadrinhos de que não é realmente o Spider-Man se Peter Parker não estiver sofrendo. Essa premissa continua verdadeira em Spider-Man: Brand New Day, onde Peter Parker (Tom Holland) precisa se ajustar à sua nova vida de combate ao crime após os eventos de Spider-Man: No Way Home. Dirigido por Destin Daniel Cretton e impulsionado por um elenco de apoio estelar, este novo filme chega como uma adaptação refrescante, algo que os fãs de longa data do Spider-Man certamente apreciarão.
A namorada de Parker, Michelle “MJ” Watson-Jones (Zendaya), e Ned Leeds (Jacob Batalon) não se lembram mais dele, após o Doutor Estranho lançar um feitiço para que todos esquecessem a identidade secreta do herói. Parker luta para aceitar essa realidade, enquanto enfrenta seus poderes em mutação, uma amizade improvável com Frank Castle, o Justiceiro (Jon Bernthal), e uma nova ameaça que somente o Spider-Man pode derrotar.
Aviso: spoilers à frente!
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Above Peter Parker (Tom Holland) encara a realidade de sua nova vida como Spider-Man (Foto: cortesia da Columbia Pictures)

Above O filme inclui referências aos quadrinhos, como esta cena da primeira aparição do Spider-Man na Amazing Fantasy #15 (Foto: cortesia da Columbia Pictures)
Após o “Snap” e sob a sombra iminente do Doutor Destino, somos inseridos em um cenário mais urbano e realista. Nova York sempre foi o terreno do Spider-Man, e sua relação com os cidadãos é parte fundamental de seu caráter. Mais importante: é o que o torna tão divertido. A cinematografia é excelente, não apenas nas cenas em que o Spider-Man escala os prédios da cidade, mas também nos momentos introspectivos, onde Parker tem espaço para refletir. Isso permite que o público compreenda a profundidade da jornada de Parker. O filme é repleto de referências icônicas à história do Spider-Man, que os fãs atentos certamente irão celebrar.

Above Spider-Man enfrenta o grupo criminoso conhecido como o Tentáculo (Foto: cortesia da Columbia Pictures)
Embora exista um debate sobre quem é o melhor Spider-Man nas telonas, é inegável que Holland capturou a atitude espirituosa e travessa (mas nunca maldosa) pela qual o Spider-Man é conhecido. Não importa com quem ele troque farpas — bandidos, o Escorpião (Michael Mando) ou o Justiceiro — nada parece forçado. É a evidência de que estamos diante de uma versão mais madura do herói, longe do idealista impulsivo que vimos em Spider-Man: Homecoming, sem cair no excesso de um tom excessivamente sombrio.
Devemos um elogio especial ao novo traje do Spider-Man. Esqueça os nanorrobôs e modos de morte instantânea. O traje mostra dobras, ele se ajusta e possui imperfeições. Embora mantenha certa tecnologia, parece algo que o próprio Parker costurou, o que faz maravilhas ao estabelecer o tom atual do personagem.

Above Parker consulta Bruce Banner (Mark Ruffalo) sobre seus poderes (Foto: cortesia da Columbia Pictures)
E onde está Parker atualmente? Sofrendo, com o peso de batalhas e tragédias passadas expresso claramente no rosto de Holland. É um fardo que ele carrega com o máximo de positividade que consegue reunir. Mas ele enfrenta um problema adicional: seus poderes começam a sofrer mutações, tornando-o mais agressivo e impulsivo, além de causar problemas com teias orgânicas. Ele busca a ajuda de Bruce Banner (Mark Ruffalo) para tentar controlar o incontrolável. Além disso, ele deve enfrentar um inimigo que inicialmente não consegue ver, tornando o desafio pessoal para Parker ainda maior do que para o Spider-Man.
O conflito da mutação adiciona um elemento interessante à eterna luta interna do Spider-Man: equilibrar sua vida civil com seu alter ego de justiceiro mascarado. A química entre Holland e Bernthal é excepcional, sustentada pelo que sabemos sobre o passado de Parker e Castle e pelas semelhanças em seus estados mentais.
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Above Spider-Man e o Justiceiro unidos contra uma ameaça comum (Foto: cortesia da Columbia Pictures)

Above MJ e Spider-Man procuram uma forma de inibir o problema da mutação (Foto: cortesia da Columbia Pictures)
O restante do elenco — incluindo MJ, Leeds, Banner e outros — apoia o filme, dando-lhe vida e aquela energia clássica de HQ. É difícil dizer mais sobre Zendaya e Holland sem estragar as surpresas; você terá que assistir ao filme se quiser ver a reviravolta por si mesmo.
Se alguma crítica deve ser feita, é sobre a consistência das cenas de luta. Os momentos altos são espetaculares, mas há irregularidades. Em vários momentos, fiquei impressionado com a coreografia, apenas para franzir a testa com um uso inoportuno de câmera lenta ou ângulos questionáveis. No final, é apenas um detalhe menor.

Above Spider-Man trabalha com Bill Metzger, o chefe do Departamento de Controle de Danos (Foto: cortesia da Columbia Pictures)
Na minha opinião, o Spider-Man funciona melhor quando permanece com os pés no chão, lidando com problemas pessoais e vilões urbanos. É isso que o torna tão amado pelos fãs ao redor do mundo, e Spider-Man: Brand New Day nos mostrou o motivo. Sob a máscara, há um jovem comum fazendo o melhor que pode com os desafios que lhe são impostos.
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